quinta-feira, 11 de junho de 2026

Força e resiliência no caminho

E há uma primeira vez para tudo ☺️

Ontem o dia começou bem cedo… 3h15, para ser mais precisa. Já há dias que andava a fazer contagem decrescente para esta minha prova de fogo, aquela que se sente na alma, antes de sentir no corpo...
A caminhada iniciou-se em Penafiel às 4h15 e terminou em Ermesinde, por volta das 9h15, quando entrei na igreja de Santa Rita.
Foi uma travessia de superação, mais do que de promessa. E, ainda assim, acabou por servir para cumprir todas as promessas que um dia fiz e nunca cheguei a concretizar… fossem elas quais fossem, fossem elas quantas fossem. Está feito e honrado. Para o ano, quem sabe, talvez haja mais.
Nada disto teria sido possível sem o apoio incansável da ADDI – Associação para o Desenvolvimento de Duas Igrejas. Sempre presentes, sempre atentos, com carros de apoio ao longo do caminho, comida, água e o conforto do regresso a casa. Um verdadeiro abraço logístico e humano.
E um obrigada especial a quem caminhou comigo mais de perto. Se não fossem elas, talvez não tivesse chegado tão longe. Sempre a incentivar, sempre a puxar por mim, sempre a lembrar que o corpo aguenta mais quando o coração sabe que está a ser acompanhado.
Com tudo isto, percebi que chegar mais longe é possível.

É curioso como o destino desta caminhada se faz presente em nós durante a própria travessia.
Há passos que não são apenas passos… há passos que parecem carregar mensagens.
O que Santa Rita representa espiritualmente é sentido no corpo, na respiração, no silêncio da madrugada, no cansaço, nas dores e na força que nos empurra quando já não sabemos de onde ela vem. 
Santa Rita é presença.
É aquela mão invisível que se sente quando o caminho se torna mais íngreme.

E hoje, cada um dos seus símbolos tocou a minha caminhada e tem vindo a tocar a minha vida.

Esperança quando tudo parece perdido...
Santa Rita é invocada por quem atravessa situações difíceis ou aparentemente sem solução.
Espiritualmente, ela simboliza a capacidade de continuar a acreditar mesmo quando não se vê saída.
É a luz que não se apaga, mesmo quando o mundo parece escuro.
Hoje, essa esperança caminhou comigo.

Perdão e transformação interior.
Uma das maiores lições de Santa Rita é o perdão.
Ela mostra que a paz interior não nasce da ausência de sofrimento, mas da forma como escolhemos lidar com ele.
Perdoar não é esquecer, é libertar-se.
É deixar de carregar o que já não pertence ao presente.
E eu, ao caminhar, fui deixando para trás pesos antigos, promessas por cumprir, dores que já não preciso mais carregar.

Confiança e entrega.
Santa Rita representa a entrega total.
É a santa a quem recorremos quando já fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e precisamos de força para continuar.
Ela ensina que confiar é abrir espaço para o impossível acontecer.
Hoje, cada passo meu foi um gesto de confiança, foi um gesto de entrega. 

Resiliência e crescimento através da dor.
A história de Santa Rita lembra-nos que o sofrimento pode transformar-se em sabedoria, compaixão e crescimento espiritual.
Por isso, ela é procurada por quem vive lutos, separações, doenças, crises familiares ou momentos de viragem.
Ela não promete ausência de dor, mas promete transformação.
E eu, na minha caminhada, fiz exatamente isso: transformei esforço em clareza, dor em força, cansaço em superação.

Se é para competir, que seja contigo mesma — supera-te.

Gratidão à força da minha ancestralidade que me sustentou. 

# Rute Ferreira - Alma Criativa 🦉 

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