domingo, 28 de junho de 2026

Dar voz à criança interior - Quando o adulto se permite

Participei a primeira vez no 2° Zen Integrativo a convite do Nuno que gere o Girassol Usui Reiki.
O local escolhido foi o parque da cidade, um local que me é muito querido e que eu considero um refúgio no meio da natureza. 
Foi o cenário perfeito para desenvolver a minha atividade artística, porque arte e natureza são fios da mesma teia. 
Complementam -se e é onde vamos buscar toda a inspiração para o processo criativo. 
Obrigada de coração a cada pessoa que permitiu dar voz à sua criança interior, atravessando o medo de “não ser suficientemente bom” ou de “não estar a fazer bem”.
As 7 pessoas que participaram criaram trabalhos maravilhosos, autênticos, sensíveis e cheios de alma, mesmo aquelas que acreditaram não ter jeito para criar. 
Se uns havia que a sua criança interior via tudo colorido, outros eram um pouco mais sombrios, mas todos eles traduziam uma história muito secreta e que só cada um saberá o seu significado.
Foi um grupo simpático, participativo e, embora uns mais do que outros, todos se abriram ao processo, o que trouxe ainda mais luz ao espaço e ao momento.
Nós Espaços Criativos que disponibilizo às pessoas, não há julgamentos, nem opiniões, nem interpretações, simplesmente à abertura e disponibilidade para acompanhar o processo de cada um. 
Senti-me acolhida e abençoada pela oportunidade. 
Obrigada, Nuno, pela confiança.
Levo comigo gratidão e a certeza de que quando a arte encontra a natureza, algo sagrado e belo acontece.

Rute Ferreira - Facilitadora de Espaços Criativos e Artesã

Rute Ferreira - Alma Criativa é  um espaço onde a arte deixa de ser apenas criação
e passa a ser um caminho de reconexão com a essência, com a natureza interna e com aquilo que a alma deseja expressar.

Arte, alma e criação como caminho de reconexão.

#artecriativa

domingo, 21 de junho de 2026

O teu valor não depende da aprovação de ninguém

Gosto de novas experiências.
Elas abrem caminhos dentro de mim, mostram-me partes que antes estavam escondidas, adormecidas ou esquecidas.
Elas mostram-me quem sou e lembram-me da força que carrego.
Estas experiências servem para superar medos, inseguranças e aquela falta de autoestima que nasce quando não somos valorizadas.
Quando ninguém nos valida, começamos a duvidar de nós mesmas e está tudo certo. 
Colocamos em causa o nosso valor, mesmo quando, lá no fundo, sabemos exatamente do que somos capazes, especialmente na fase da vida em que estamos.
Mas é assim que crescemos, quando nos permitimos viver algo novo, algo que nos desafia, algo que nos obriga a olhar para dentro e a reconhecer que somos muito mais do que aquilo que nos fizeram acreditar.
Cada passo fora da zona de conforto é uma pequena revolução interna.
É um lembrete silencioso de que o nosso valor não depende do olhar de ninguém.
Depende apenas da coragem de continuarmos a ser quem somos, mesmo quando o mundo não aplaude aquilo que fazemos ou somos.
Eu sei do que sou capaz.
Sei o que consigo fazer nests fase da vida em que estou.
E não permito que a falta de reconhecimento dos outros defina aquilo que valho. E se não correr ou falhar... está tudo bem também. 
Cada passo que dou fora da minha zona de conforto é uma escolha minha, 
reconhecer o meu valor, afirmar a minha voz e ocupar o meu espaço. 
Eu avanço, só preciso de oportunidade para o fazer.

# Rute Ferreira - Alma Criativa 🦉 

sábado, 20 de junho de 2026

Tarot uma visão mais consciente


Desde sempre senti um fascínio profundo pelo tarot. Não faço leituras profissionais, mas sempre me encantou a linguagem simbólica das cartas e a forma como cada arcano parece guardar um pedaço da alma humana.

Durante muitos anos, procurei no tarot aquilo que a maioria procura: respostas sobre o futuro, sinais externos, previsões, certezas. A famosa “futurologia”. Mas, com o tempo, algo começou a soar-me errado. Percebi que muitas leituras eram filtradas pelas crenças pessoais dos tarólogos, pelos seus medos, pelas suas histórias e modos de viver.

E, sem me dar conta, deixei que essas visões fossem projetadas sobre a minha vida.
Eram interpretações generalistas, que nunca se cumpriam e que me deixavam mais confusa do que esclarecida.

Depois de várias desilusões, algo mudou dentro de mim.
O tarot deixou de ser uma janela para fora e tornou-se um espelho para dentro.
Comecei a perceber que as cartas não estavam ali para me dizer o que ia acontecer, mas sim para revelar o que estava a acontecer dentro de mim.

Passei a olhar para cada arcano como um convite:
o que em mim precisa de luz?
o que precisa de arranjo?
o que pede paciência, entrega, coragem?
O tarot transformou-se numa ferramenta de autoconhecimento, não de previsão.
Num mapa interno.
Num diálogo com o inconsciente.
Hoje, quando tiro uma carta, já não pergunto “o que vai acontecer?”.
Pergunto sim: O que esta energia desperta em mim?
O que preciso de ver que ainda não vi?
Que parte de mim está a pedir atenção?
E é aí que o tarot se torna medicina.
Não porque prevê o futuro, mas porque traz luz ao momento presente.
Porque mostra o que está vivo, o que está ferido, o que está a nascer.
O tarot não me diz quem vou ser.
Mostra-me quem estou a tornar-me e isso, para mim, é infinitamente mais valioso.

Nesta pintura, no meu caderno terapêutico, exploro o lado mais livre e colorido da carta "o louco".

A carta "O Louco" é uma das mais profundas e paradoxais do tarot e uma das que mais fala ao  meu caminho, porque toca diretamente na tensão entre liberdade e controlo, entre o salto de fé e o medo do desconhecido. "O Louco" abre mão de controlar a própria vida. Ele move-se. Ele ouve o vento. Ele segue o impulso da alma.

Há momentos na vida em que tentamos segurar tudo com as mãos... planos, pessoas, resultados, timings e certezas.
Fazemos listas, estratégias, previsões.
Tentamos antecipar cada curva, cada sombra, cada possibilidade de falhar.
E, sem perceber, ficamos presos ao que queríamos evitar: o medo.
É aqui que o Louco entra como um espelho luminoso.

O Louco lembra-te que o controlo é uma ilusão confortável, mas nada mais é  do que uma ilusão.
A vida não se dobra ao nosso planeamento; ela dança com o que somos por dentro.
Quando tentas controlar tudo, a tua energia fica rígida, tensa, pesada.
O Louco traz o contrário:
leveza, respiração, movimento, confiança.
Ele diz-te: “Solta um pouco. A vida não te quer perfeita, ela quer-te viva.”
Controlar tudo é uma forma de tentar evitar a dor, mas também evita o milagre.

O Louco convida-te a dar um passo sem garantias, não porque és irresponsável, mas porque estás alinhada com o que é verdadeiro em ti.
Ele ensina que...quando soltas o controlo, o caminho abre.
Quando confias, a vida responde.
Quando dás o salto, o chão aparece e mesmo que seja só uma experiência. 
O Louco não te pede para abandonares a estrutura, pede-te apenas que não te percas.
Pede-te para deixares espaço para o inesperado, para o mágico, para o que não se controla, mas que às vezes transforma.

O Louco aparece quando a tua alma já decidiu algo…e a tua mente ainda está a tentar apanhar o atraso.
Ele surge quando já não és a pessoa que foste, ainda não és a pessoa que vais ser e estás naquele espaço entre mundos onde tudo parece instável.
O Louco diz-te que estás num limiar.
Um ponto zero.
Um renascimento.
Há uma parte tua que quer soltar, mudar, arriscar, respirar diferente.
E outra parte que tenta controlar, prever, garantir que nada corre mal.
Mas o Louco diz-me: Confia no impulso que te chama. Solta o controlo que te prende. Dá o salto mesmo com medo. Escolhe a leveza em vez da rigidez. 

A energia do Louco mostra que a tua alma está a empurrar-te para um salto que não é externo, mas sim interno.
O salto não é “mudar de vida”. É mudar a forma como te moves dentro da tua vida.

Não é um salto para fora.
É um salto para dentro. 
Para dentro da tua coragem.
Para dentro da tua criatividade.
Para dentro da tua verdade.
Para dentro da tua liberdade.

# Rute Ferreira - Alma Criativa 🦉 








quarta-feira, 17 de junho de 2026

Memória Somática vs. Regressões: Porque a Cura Está no Corpo presente


Ao longo da minha caminhada na espiritualidade, fui percebendo que existe um grande fascínio pelas regressões a vidas passadas. É compreensível: a ideia de aceder a memórias antigas, de encontrar explicações para padrões atuais ou de descobrir “quem fomos” desperta curiosidade e promete respostas rápidas. Eu própria, no início, senti esse encanto.
Mas com o tempo, comecei a observar algo essencial: mesmo que existam vidas anteriores, tudo o que não está resolvido manifesta-se inevitavelmente nesta vida, nos padrões de pensamento, nas relações, nos medos, nas escolhas...Ou seja, aquilo que realmente importa para o nosso processo de cura está aqui, agora, no corpo que habitamos e na história que vivemos desde o nascimento. 
E foi a partir dessa constatação que o meu interesse pelas regressões diminuiu.
Percebi que trabalhar a biografia desta vida é mais útil, mais concreto e mais consciente. Aqui temos acesso a memórias, experiências que podemos contextualizar e emoções que podemos compreender com clareza. Aqui sabemos distinguir o que é vivido do que é imaginado, mesmo reconhecendo que a mente, por vezes, também distorce ou preenche espaços vazios.
O ponto central é este: as regressões dependem profundamente da mente, e a mente é altamente influenciável. Pessoas muito criativas tendem a gerar imagens com facilidade.
Pessoas mais racionais ou desconfiadas tendem a não ver nada.
Isto, por si só, já mostra que a experiência é subjetiva. 
Não invalido quem acredita ou quem encontra significado nesse tipo de prática. Mas, para mim, a cura profunda acontece quando olhamos para a nossa história real,  para as experiências que moldaram a nossa identidade, para as feridas que reconhecemos e para os padrões que conseguimos observar no presente. A vida que temos agora é suficientemente rica, complexa e desafiadora para explicar o que sentimos.
E é nela que encontramos o terreno mais fértil para transformar, integrar e crescer.

# Rute Ferreira - Alma Criativa 🦉 



sexta-feira, 12 de junho de 2026

O Mito de Que Tudo Muda Quando tu Mudas


Quantas de nós já acreditou na promessa luminosa: “Muda, e tudo mudará contigo.”
E quantas de nós já mudou...de pele, de alma, de caminho e encontrou o mundo exatamente no mesmo lugar onde o deixou?

Falo por mim. Já mudei muito, e continuo a mudar, por dentro e por fora. Mudei tanto que às vezes já nem me reconheço nas versões antigas de mim.
Mas, apesar disso, tudo à minha volta permaneceu igual. 

Durante muito tempo não soube como interpretar isto. Hoje percebo que, como tantas outras frases feitas, esta serve para algumas pessoas… e para outras simplesmente não.

Durante muito tempo pensei que havia algo de errado comigo.
Hoje sei que não, a mudança é um movimento interno, não uma varinha mágica que transforma o mundo.

Às vezes estamos a fazer tudo certo. Estamos a crescer, a curar, a transformar padrões, a olhar para dentro. E mesmo assim aparece alguém a dizer que “na verdade não mudaste”, ou que “não estás a fazer a coisa certa”. Para muitas pessoas, se algo não acontece, a culpa é automaticamente tua.
Mas não. O defeito não é teu.

Há quem prefira a zona de conforto ao desconforto da verdade.
Há quem escolha não crescer.
Há quem escolha não sentir.
Há quem escolha não mudar.

Há pessoas que simplesmente querem continuar a viver como sempre viveram. Querem manter as mesmas crenças, os mesmos hábitos, as mesmas desculpas. Querem continuar a agir como se o outro não existisse, como se o impacto das suas atitudes fosse irrelevante.

E tu?
Tu mudas. Tu cresces. Tu vês. Tu sentes.
Tu assumes responsabilidade. Tu cresces para dentro e para fora.
Mas isso não significa que os outros vão acompanhar-te.

E está tudo bem.
A tua mudança não perde valor só porque o mundo não se ajustou a ela.
A tua mudança não é fracasso, a tua mudança é caminho — não destino.
E, mesmo que o mundo permaneça igual, tu já não és a mesma.
E isso, por si só, já é revolução.

# Rute Ferreira - Alma Criativa 🦉 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Força e resiliência no caminho

E há uma primeira vez para tudo ☺️

Ontem o dia começou bem cedo… 3h15, para ser mais precisa. Já há dias que andava a fazer contagem decrescente para esta minha prova de fogo, aquela que se sente na alma, antes de sentir no corpo...
A caminhada iniciou-se em Penafiel às 4h15 e terminou em Ermesinde, por volta das 9h15, quando entrei na igreja de Santa Rita.
Foi uma travessia de superação, mais do que de promessa. E, ainda assim, acabou por servir para cumprir todas as promessas que um dia fiz e nunca cheguei a concretizar… fossem elas quais fossem, fossem elas quantas fossem. Está feito e honrado. Para o ano, quem sabe, talvez haja mais.
Nada disto teria sido possível sem o apoio incansável da ADDI – Associação para o Desenvolvimento de Duas Igrejas. Sempre presentes, sempre atentos, com carros de apoio ao longo do caminho, comida, água e o conforto do regresso a casa. Um verdadeiro abraço logístico e humano.
E um obrigada especial a quem caminhou comigo mais de perto. Se não fossem elas, talvez não tivesse chegado tão longe. Sempre a incentivar, sempre a puxar por mim, sempre a lembrar que o corpo aguenta mais quando o coração sabe que está a ser acompanhado.
Com tudo isto, percebi que chegar mais longe é possível.

É curioso como o destino desta caminhada se faz presente em nós durante a própria travessia.
Há passos que não são apenas passos… há passos que parecem carregar mensagens.
O que Santa Rita representa espiritualmente é sentido no corpo, na respiração, no silêncio da madrugada, no cansaço, nas dores e na força que nos empurra quando já não sabemos de onde ela vem. 
Santa Rita é presença.
É aquela mão invisível que se sente quando o caminho se torna mais íngreme.

E hoje, cada um dos seus símbolos tocou a minha caminhada e tem vindo a tocar a minha vida.

Esperança quando tudo parece perdido...
Santa Rita é invocada por quem atravessa situações difíceis ou aparentemente sem solução.
Espiritualmente, ela simboliza a capacidade de continuar a acreditar mesmo quando não se vê saída.
É a luz que não se apaga, mesmo quando o mundo parece escuro.
Hoje, essa esperança caminhou comigo.

Perdão e transformação interior.
Uma das maiores lições de Santa Rita é o perdão.
Ela mostra que a paz interior não nasce da ausência de sofrimento, mas da forma como escolhemos lidar com ele.
Perdoar não é esquecer, é libertar-se.
É deixar de carregar o que já não pertence ao presente.
E eu, ao caminhar, fui deixando para trás pesos antigos, promessas por cumprir, dores que já não preciso mais carregar.

Confiança e entrega.
Santa Rita representa a entrega total.
É a santa a quem recorremos quando já fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e precisamos de força para continuar.
Ela ensina que confiar é abrir espaço para o impossível acontecer.
Hoje, cada passo meu foi um gesto de confiança, foi um gesto de entrega. 

Resiliência e crescimento através da dor.
A história de Santa Rita lembra-nos que o sofrimento pode transformar-se em sabedoria, compaixão e crescimento espiritual.
Por isso, ela é procurada por quem vive lutos, separações, doenças, crises familiares ou momentos de viragem.
Ela não promete ausência de dor, mas promete transformação.
E eu, na minha caminhada, fiz exatamente isso: transformei esforço em clareza, dor em força, cansaço em superação.

Se é para competir, que seja contigo mesma — supera-te.

Gratidão à força da minha ancestralidade que me sustentou. 

# Rute Ferreira - Alma Criativa 🦉 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Por trás das Máscaras: "o que os ecrãs escondem”


Tens redes sociais e vais vendo o que os outros colocam nos seus murais.
E tu colocas as tuas coisas para vender… e nada acontece.
Já passaste por isto, não já?
Já te perguntaste porque é que os outros parecem conseguir e tu não?A mim já me aconteceu vezes sem conta.
Já me questionei até à exaustão.
Dizem-nos para não nos compararmos, porque cada vida é uma vida.
E é verdade.
Mas eu digo-te outra coisa: o que tu vês são apenas momentos.Aquela pessoa que parece vender todos os dias pode não ter vendido nada.
Aquela empreendedora que parece imparável pode ter montado apenas um cenário temporário para criar a ilusão de sucesso.
Aquela artista que parece viver num mar de encomendas pode estar, na verdade, a lutar para pagar contas.As redes sociais são vitrines.
E vitrines não mostram o chão desarrumado, o cansaço, a dúvida, o medo, o silêncio das vendas que não chegam.Nunca devemos esquecer: as pessoas usam máscaras.
Trocam-nas conforme o momento, conforme a necessidade, conforme a narrativa que querem contar.
Às vezes colocam a máscara da pintora confiante, da empreendedora de sucesso, da pessoa mais feliz do mundo.
Mas quando desligam a câmara…
o brilho apaga-se num sopro.E sabes o que sobra?
A mesma humanidade que existe em ti:
a vulnerabilidade, a incerteza, a esperança, o desejo de ser vista, o medo de não ser suficiente.Por isso, respira.
O teu caminho não está atrasado.
O teu ritmo não é um erro.
E o teu valor não depende da máscara de ninguém.

domingo, 7 de junho de 2026

O Rouxinol e a Profecia da Luz


Um dia destes fui fazer um workshop de bordado e, no final, cada participante pôde retirar uma carta do baralho.
A mim saiu o rouxinol, com a mensagem: “O amor está por toda a parte.”Naquele momento, nada daquilo me disse grande coisa.
Foi exatamente o que respondi à pessoa que estava a orientar o workshop.
Ela, com boa intenção talvez, tentou interpretar a carta para mim.
Mas insistiu no tema do amor‑próprio, quase como se estivesse a sugerir que eu não o tinha.
E ali, dentro de mim, algo não encaixou.Como poderia ela saber da minha história?
Como poderia ela medir o meu amor‑próprio apenas pelo que via?Será pelas minhas mãos marcadas pelo trabalho manual — artesanato, culinária, agricultura?
Será pelo meu cabelo meio desgrenhado, fraco pela queda?
Será pela roupa que levava — calças em vez de vestido?
Será pelo meu silêncio, porque em algumas ocasiões falo pouco?
Não.
Ela não podia saber.
Porque não me conhecia.
E não conhecia o caminho profundo que tenho feito ao longo dos anos para me reencontrar, cuidar de mim e reconstruir o meu amor‑próprio de dentro para fora.
Mais tarde, já em casa, olhei para a carta do meu próprio oráculo.
E aí sim, a mensagem abriu-se diante de mim com clareza:

* Mesmo que ainda não vejas, a tua luz está a reorganizar-se. 
Canta...com as mãos, com a tinta, com as linhas, os pincéis, com o tecido e
com o gestos intuitivos. 
Canta como quem acende um pequeno fogo no peito. Esse som, essa criação, essa vibração, é o que chama de volta a esperança, a clareza, e a tua própria medicina. Ao dares voz à tua luz, tornas-te farol para outra alma que também temia que o dia não voltasse.
Leva amor para dentro da sombra.
Dá-lhe forma.
Dá-lhe cor.
Dá-lhe voz.
O amanhecer já está a caminho.
O amanhecer já começou dentro de ti.
E mesmo quando o céu parece pesado,
há sempre uma luz por trás das nuvens
à espera do instante certo para romper.

O rouxinol não veio falar-me de amor‑próprio.
Veio falar-me de visão. 
Veio lembrar-me que há mensagens que só se revelam a quem sabe escutar. *

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Um grito preso na garganta








Há anos que trago um grito preso na garganta, mas que não consigo soltar. A força desse grito nasce no fundo do estômago, atravessa o peito, passa pelo coração e sobe até à garganta, onde permanece aprisionado, sem conseguir encontrar uma saída.
É um grito feito de palavras que nunca disse, de lágrimas que nunca chorei, de sonhos que ficaram pelo caminho e de emoções que aprendi a esconder. Um grito que pede espaço para existir, mas que, por medo, por insegurança ou simplesmente por hábito, continua calado.
Penso várias vezes em dar um grito, mas acabo por não o fazer. Como justificar perante os outros esse grito, vou fazer barulho e incomodar... então, acabo sempre por manter esse grito aprisionado.
Com o passar do tempo, esse grito transformou-se num vazio. Um vazio silencioso que habita o coração e a alma. Um espaço onde antes existia esperança, entusiasmo e vontade de abraçar a vida. Um vazio que não dói de forma intensa, mas é constante. É uma ausência difícil de explicar para quem nunca a sentiu.
Por vezes, penso que esse vazio não nasceu daquilo que perdi, mas daquilo que nunca me permiti viver plenamente. Das verdades que calei, dos limites que não impus, dos desejos que deixei para depois e da pessoa que fui deixando para trás enquanto tentava corresponder às expectativas dos outros.
Mas talvez o grito ainda esteja ali por uma razão. Talvez não queira apenas sair; talvez queira ser ouvido. Talvez o vazio não seja um fim, mas um convite. Um convite para olhar para dentro, para resgatar partes de mim esquecidas pelo tempo e para voltar a ocupar, pouco a pouco, os espaços que ficaram abandonados dentro da minha própria alma.
E quem sabe, um dia, esse grito deixe de ser dor e se transforme em voz. A minha voz. Livre, autêntica e finalmente capaz de encontrar o seu lugar no mundo.

"Há gritos que não se ouvem, mas, vivem dentro de nós, à espera de se transformarem em voz."

# Rute Ferreira - Alma Criativa 🦉 

Dia Fora Do Tempo - 25/7/2026

Hoje é o Dia Fora do Tempo. Durante muito tempo ouvi falar deste dia sem compreender verdadeiramente o seu significado. Diz-se q...