Ao longo da minha caminhada na espiritualidade, fui percebendo que existe um grande fascínio pelas regressões a vidas passadas. É compreensível: a ideia de aceder a memórias antigas, de encontrar explicações para padrões atuais ou de descobrir “quem fomos” desperta curiosidade e promete respostas rápidas. Eu própria, no início, senti esse encanto.
Mas com o tempo, comecei a observar algo essencial: mesmo que existam vidas anteriores, tudo o que não está resolvido manifesta-se inevitavelmente nesta vida, nos padrões de pensamento, nas relações, nos medos, nas escolhas...Ou seja, aquilo que realmente importa para o nosso processo de cura está aqui, agora, no corpo que habitamos e na história que vivemos desde o nascimento.
E foi a partir dessa constatação que o meu interesse pelas regressões diminuiu.
Percebi que trabalhar a biografia desta vida é mais útil, mais concreto e mais consciente. Aqui temos acesso a memórias, experiências que podemos contextualizar e emoções que podemos compreender com clareza. Aqui sabemos distinguir o que é vivido do que é imaginado, mesmo reconhecendo que a mente, por vezes, também distorce ou preenche espaços vazios.
O ponto central é este: as regressões dependem profundamente da mente, e a mente é altamente influenciável. Pessoas muito criativas tendem a gerar imagens com facilidade.
Pessoas mais racionais ou desconfiadas tendem a não ver nada.
Isto, por si só, já mostra que a experiência é subjetiva.
Não invalido quem acredita ou quem encontra significado nesse tipo de prática. Mas, para mim, a cura profunda acontece quando olhamos para a nossa história real, para as experiências que moldaram a nossa identidade, para as feridas que reconhecemos e para os padrões que conseguimos observar no presente. A vida que temos agora é suficientemente rica, complexa e desafiadora para explicar o que sentimos.
E é nela que encontramos o terreno mais fértil para transformar, integrar e crescer.
# Rute Ferreira - Alma Criativa 🦉
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