A minha resposta vem a seguir, cuidadosamente elaborada nestas linhas que se seguem...
Um dia depois do grande dia em que se revolucionou o país há 52 anos atrás.
Muita coisa mudou e uma delas deveria ser a liberdade da mulher.
Digo deveria porque ainda há muitas mudanças a fazer nesse sentido.
A liberdade da mulher poder estar sentada sozinha num banco de jardim a ler sem ser importunada por homens que deviam ter juízo.
A liberdade de estar num espaço público sem ter de justificar o que estou ali a fazer.
A liberdade de ser simpática sem que isso seja confundido com disponibilidade.
A liberdade de dizer “não” sem medo.
A liberdade de não ter de estar sempre em alerta.
Porque a verdadeira liberdade não é apenas votar, trabalhar ou estudar.
A verdadeira liberdade é poder estar sem ser tratada como território aberto.
E é aqui que percebemos que, apesar de tantos discursos sobre igualdade, ainda há quem ache que o corpo e o silêncio de uma mulher são convites.
Ainda há quem confunda educação com interesse.
Ainda há quem pense que tem direito ao nosso tempo, ao nosso espaço, ao nosso sossego.
Mas a liberdade que celebramos não pode ser apenas memórias históricas.
Tem de ser vivida no dia a dia.
Tem de ser responsabilidade coletiva.
Tem de ser ensinada, exigida e protegida.
Porque enquanto uma mulher não puder simplesmente estar sentada num banco, a ler, a respirar, sem ser interrompida, questionada ou invadida, então ainda não chegámos lá.
E é por isso que continuamos a falar, a escrever, a denunciar e a tentar educar os homens, a respeitar as mulheres.
Não para criar guerra, mas para criar consciência.
Não para afastar homens, mas para aproximar homens e mulheres em saudável convivência.
A liberdade conquistada há 52 anos abriu portas.
Agora falta garantir que todas as mulheres possam atravessá‑las sem medo. E que todos os homens as respeitem.
"Metade do mundo são mulheres, a outra metade os filhos delas"
# Rute Ferreira Art - Alma Criativa 🦉
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