sábado, 16 de maio de 2026

Quando a Espiritualidade Deixa de Ser Fuga

O que descobri depois de 15 anos a procurar respostas fora de mim

Passamos metade da vida a tentar justificar o que acontece à nossa volta, como se houvesse sempre um significado escondido, uma mensagem, um sinal que nos escapa.  
Eu também vivi assim.

Há cerca de 15 anos, tudo desabou ao mesmo tempo: perdi o emprego, a relação terminou, e parecia que cada porta que tocava se fechava. Foi nesse vazio que entrei no mundo da espiritualidade à procura de respostas. Fiz cursos de reiki, anjos, cartas, xamanismo e muitos outros. Cada um prometia uma luz, uma direção, uma cura.

E, de certa forma, todos fizeram parte de um processo de autoconhecimento.

Mas a verdade é que continuei a estudar sozinha — livros, blogs, grupos de Facebook, vídeos, previsões, teorias. Acreditei em leituras de cartas, em médiuns, em sinais, em mensagens canalizadas. Acreditei porque queria acreditar. Porque precisava que algo fizesse sentido.

As respostas, porém, nunca chegaram.
O que chegou foi outra coisa: conheci-me melhor. Cresci, sim, mas também me perdi. O excesso de informação tornou-se ruído. Acreditei em muita coisa e desacreditei de quase tudo. Nada mudava à minha volta. A única que mudava era eu — e isso criava uma luta silenciosa: eu a transformar-me e o mundo igual.

Houve um momento em que pensei que enlouquecia.  
As minhas mãos já doíam de tanto me agarrar a um remo frágil — alguns ensinamentos espirituais que, para mim, simplesmente não funcionavam.

Perguntava-me: “Porque não resulta comigo?”  E afundei-me.
Nada mudou a não ser eu.

Foi então que percebi que precisava largar muitas “aprendizagens”. Não porque fossem falsas, mas porque não eram minhas. Não me serviam. Não me davam chão, não me davam firmeza.  
Quando larguei, fiquei mais leve. Mais segura de mim. 

Reiniciei o caminho — como já tinha feito 15 anos antes.  
Desta vez, sem pressas, sem fórmulas mágicas, sem obsessão por sinais, sem viver num mundo paralelo onde tudo tem um significado oculto. Deixei de acreditar que pensamento positivo resolve tudo, que recitar números muda destinos, que visualizar é suficiente para transformar a vida.

Passei a viver a vida real.  
Tal como ela é.  
Nem é sempre bonita, mas é real.
E, na realidade, descobri algo simples e profundo: A espiritualidade que me serve é a que me devolve ao corpo, ao presente, à realidade, não a que me afasta da vida.

A que me ajuda a sentir, não a fugir.  
A que me convida a ser humana, não perfeita.  
A que me ensina a caminhar, não a esperar milagres.

Hoje sei que não falhei.  
Só precisei de voltar a mim.

Ruteferreiraart - Alma Criativa 🦉 







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