domingo, 17 de maio de 2026

A fronteira entre o amor e o medo

Há histórias que parecem a vida real.  
Histórias que nos atravessam porque reconhecemos nelas a nossa própria dualidade: entre o medo de te amar e a dor — ou melhor, o medo — de te perder.  

Quantas de nós já não viveram neste limbo emocional?  
Principalmente quando o passado deixou marcas profundas, quando já estivemos em relações onde o amor não foi seguro, onde a perda chegou cedo demais, onde o corpo aprendeu a viver em alerta perante cada silêncio, cada mudança de humor, cada ausência subtil.

O problema é que ninguém consegue viver — verdadeiramente viver — um relacionamento quando o medo toma o lugar do amor.  
Ficamos presas numa incerteza constante, num estado de vigilância que nos rouba o presente. E ninguém é feliz assim.  

Este medo mexe com tudo: com a mente, com o corpo, com o coração.  
Há dias em que conseguimos desligar, respirar, acreditar.  
E há outros em que a mente corre sozinha, cria cenários, interpreta gestos, procura sinais de perigo onde talvez não existam.  

O vazio vai crescendo devagar.  
Em vez de construirmos pontes, criamos distância — física, emocional, energética.  
O corpo tenta proteger-nos fechando-se.  
O coração, cansado, começa a reconhecer apenas duas coisas: o medo e a dor.  

E onde deveria existir amor, começa a abrir-se um abismo.  
Não porque não exista sentimento, mas porque o medo ocupa o espaço todo.  
E quando o medo governa, o amor deixa de respirar.

# Rute Ferreira - Alma Criativa 


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