Há histórias que parecem a vida real.
Histórias que nos atravessam porque reconhecemos nelas a nossa própria dualidade: entre o medo de te amar e a dor — ou melhor, o medo — de te perder.
Quantas de nós já não viveram neste limbo emocional?
Principalmente quando o passado deixou marcas profundas, quando já estivemos em relações onde o amor não foi seguro, onde a perda chegou cedo demais, onde o corpo aprendeu a viver em alerta perante cada silêncio, cada mudança de humor, cada ausência subtil.
O problema é que ninguém consegue viver — verdadeiramente viver — um relacionamento quando o medo toma o lugar do amor.
Ficamos presas numa incerteza constante, num estado de vigilância que nos rouba o presente. E ninguém é feliz assim.
Este medo mexe com tudo: com a mente, com o corpo, com o coração.
Há dias em que conseguimos desligar, respirar, acreditar.
E há outros em que a mente corre sozinha, cria cenários, interpreta gestos, procura sinais de perigo onde talvez não existam.
O vazio vai crescendo devagar.
Em vez de construirmos pontes, criamos distância — física, emocional, energética.
O corpo tenta proteger-nos fechando-se.
O coração, cansado, começa a reconhecer apenas duas coisas: o medo e a dor.
E onde deveria existir amor, começa a abrir-se um abismo.
Não porque não exista sentimento, mas porque o medo ocupa o espaço todo.
E quando o medo governa, o amor deixa de respirar.
# Rute Ferreira - Alma Criativa
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