Quando entramos muito fundo em temas espirituais, sobretudo durante períodos emocionalmente intensos, é frequente sentir:
mais sensibilidade, intuição mais forte, coincidências/sincronicidades, estados emocionais profundos, sensação de conexão, entusiasmo, propósito e expansão.
Mas o cérebro humano também funciona por ciclos. O que inicialmente parece extraordinário pode, com o tempo, tornar-se mais integrado, mais silencioso ou menos emocionalmente carregado. Às vezes os “dons” adquiridos ou descobertos nessas épocas de maior intensidade na descoberta da espiritualidade, desaparecem porque:
a pessoa está mais cansada mentalmente,
entrou numa fase mais racional e prática,
houve excesso de estímulos espirituais e acabou em saturação. Ou mesmo poderia
existir muita projeção emocional em cima dessas experiências e a vida acabou por pedir mais enraizamento e menos procura constante de significado.
E há outra coisa importante: no início da espiritualidade existe muitas vezes um estado de encantamento. Tudo parece intenso, simbólico e mágico. Depois vem uma fase mais crítica e seletiva, em que começamos a perceber, contradições,
exageros, espiritualidade performativa nas redes sociais, dependência emocional de leituras, sinais ou validaçõe. A pressão para estar sempre conectada pode provocar afastamento e às vezes esse afastamento é saudável. Traz mais paz. Essa paz que tanto buscamos na espiritualidade, pode também desaparecer nessa busca constante.
O facto de sentires que algumas capacidades desapareceram não quer dizer necessariamente que eram falsas. Pode simplesmente significar que: estavam associadas a um estado emocional específico, eram mais intuitivas do que sobrenaturais ou mesmo ficaram abafadas pelo stress ou cansaço.
Muitas pessoas, depois de um período espiritual intenso, acabam por procurar algo mais simples, tal como a natureza, silêncio, relações e conexões mais reais, criatividade;, espiritualidade menos “espetacular” e mais humana.
E isso também é crescimento, desenvolvimento e elevação da consciência.
Às vezes perguntas podem surgir e uma delas é...porque perdi os meus dons? Mas se calhar devíamos antes perguntar: O que em mim continua verdadeiro mesmo sem toda a intensidade espiritual de antes?
Rute Ferreira - Alma Criativa
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