quarta-feira, 15 de julho de 2026

E se a criança interior dos adultos também tivesse voz?


Cada vez mais sinto que é necessário olhar para a criança interior que vive dentro de cada adulto.
Vivemos numa sociedade onde damos, felizmente, muita atenção às crianças. Procuramos ouvi-las, compreender o que sentem, incentivar a sua criatividade e valorizar a forma genuína como veem o mundo. E isso é importante.
Mas, a certa altura da vida, parece que deixamos de fazer essas perguntas aos adultos.

Hoje visitei uma exposição interativa onde decorria uma reportagem para um canal de televisão. Estavam presentes crianças e adultos. No entanto, apenas às crianças foi pedido que partilhassem a sua opinião sobre a experiência.

Naquele momento surgiu-me uma pergunta: e a criança interior dos adultos?

Ninguém quis saber o que ela tinha sentido, o que tinha descoberto, que emoções despertaram aqueles feixes de luz, aquelas cores, aqueles sons ou aquele ambiente imersivo.

Ser adulto não significa deixar de nos maravilharmos. Não significa perder a capacidade de brincar, imaginar, criar ou sentir profundamente. Apenas aprendemos, muitas vezes, a esconder essas partes de nós atrás das responsabilidades, das rotinas e das máscaras que a vida nos vai ensinando a usar.
Talvez seja precisamente por isso que tantos adultos procuram experiências que lhes permitam voltar a sentir. Não para regressarem à infância, mas para se reconectarem com uma parte essencial de si próprios: aquela que ainda se emociona com o belo, que continua curiosa, que sorri perante uma descoberta e que se permite, por instantes, olhar o mundo com olhos de criança.

Foi precisamente esta reflexão que reforçou a vontade de desenvolver as minhas atividades criativas para adultos.
Quando proponho uma sessão de pintura, o meu objetivo não é ensinar apenas técnicas nem criar artistas. O convite é outro: dar espaço para que cada pessoa volte a brincar com as cores, experimente sem medo de errar, deixe de lado a necessidade de fazer tudo perfeito e se permita criar de forma livre.
A pintura torna-se, assim, uma forma de reencontro. Um momento em que o adulto abranda, larga as exigências do dia a dia e volta a escutar a sua imaginação, a sua curiosidade e a sua capacidade de se surpreender.
Não é uma atividade de psicologia nem de terapia. É um espaço criativo onde cada participante pode explorar a sua expressão artística ao seu ritmo, descobrindo que a criatividade continua viva dentro de si.
Acredito que, quando voltamos a dar voz à nossa criança interior, também nos tornamos adultos mais conscientes, mais leves, mais autênticos e mais ligados àquilo que realmente somos.
Talvez esteja na altura de começarmos a perguntar também aos adultos:

O que sentiste?

Porque a criança interior não desaparece quando crescemos. Continua connosco, à espera de um momento, de uma cor, de um pincel ou de um feixe de luz que lhe recorde que ainda pode sonhar.
É esse o convite que procuro fazer através da Alma Criativa: criar espaços onde os adultos possam voltar a sentir o encanto de criar, sem julgamentos, sem pressa e sem a obrigação de serem perfeitos. Apenas presentes. Apenas humanos. E, por alguns instantes, novamente crianças.

# Rute Ferreira - Alma Criativa 🦉 

Nota: primeira foto foi manipulada por AI

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